O avanço da digitalização governamental tem-se revelado um dos indicadores mais relevantes da modernização de um país. Portugal, em 2025, conseguiu consolidar-se como um dos líderes mundiais nesta área, alcançando a terceira posição no Índice de Governo Digital da OCDE, ficando apenas atrás da Coreia do Sul e da Austrália. Este resultado reflete não apenas a adoção tecnológica, mas também o esforço contínuo do país em aproximar o Estado do cidadão através de serviços digitais eficientes e acessíveis.
O relatório da OCDE evidencia que Portugal se distingue entre os países que mais melhoraram a sua pontuação nos últimos anos. Este progresso significativo demonstra uma estratégia consistente de governo digital, orientada para facilitar a interação entre a administração pública e a população. No entanto, apesar deste desempenho robusto, existem áreas que ainda apresentam desafios, sobretudo no que concerne à transparência e à abertura proactiva de dados, conhecida como “Aberto por defeito”, onde o país ocupa a 15.ª posição.
A dimensão da abertura de dados é crucial, pois determina até que ponto as informações governamentais estão disponíveis de forma acessível, útil e reutilizável. Portugal tem feito avanços notáveis neste campo, refletidos pelo desempenho positivo no Índice de Dados Abertos, Úteis e Reutilizáveis (OURdata). Este indicador avalia não apenas a quantidade de dados disponibilizados, mas também a qualidade, a interoperabilidade e o impacto das iniciativas que incentivam a sua utilização pela sociedade e pelo setor privado.
Apesar dos progressos, o relatório indica que os avanços gerais dos países da OCDE em 2025 foram modestos. A pontuação média global aumentou de 0,48 em 2023 para 0,53, sinalizando que, embora Portugal esteja entre os melhores, ainda existe margem para melhorias. Este cenário reforça a importância de políticas públicas que não se limitem apenas à digitalização de serviços, mas que promovam também uma cultura de transparência e inovação na administração.
O sucesso de Portugal no governo digital pode ser atribuído a uma combinação de fatores. Entre eles, destaca-se a implementação de plataformas digitais integradas, que permitem ao cidadão realizar procedimentos administrativos de forma rápida e segura. Serviços como portais de pagamento, agendamento online e certificados digitais simplificam a relação com o Estado, reduzindo burocracias e aumentando a confiança da população. Além disso, a interoperabilidade entre os sistemas internos do governo permite maior eficiência e melhor coordenação entre diferentes departamentos, refletindo-se na experiência do utilizador.
Outro ponto relevante é a adesão da sociedade às soluções digitais. A participação ativa do cidadão, seja na utilização de serviços online ou no acesso a informações abertas, fortalece o ciclo de melhoria contínua do governo digital. Portugal tem investido em campanhas de sensibilização e em capacitação digital, garantindo que a população esteja preparada para aproveitar plenamente as oportunidades oferecidas pela transformação tecnológica do setor público.
A posição de destaque de Portugal serve também como referência para outros países que pretendem evoluir no governo digital. Os resultados alcançados demonstram que é possível equilibrar modernização tecnológica com inclusão e acessibilidade. Ao mesmo tempo, a lacuna na abertura proactiva de dados indica que a inovação digital não deve limitar-se à eficiência interna, mas precisa considerar a transparência e o impacto social como elementos centrais da estratégia governamental.
Para os próximos anos, o desafio do governo português será consolidar os avanços, ampliando a oferta de dados abertos e promovendo soluções digitais cada vez mais inteligentes e integradas. A sustentabilidade destas iniciativas dependerá não apenas da tecnologia, mas também de uma visão estratégica orientada para a participação cidadã, a governação transparente e a utilização inteligente de informações para decisões mais eficazes.
O reconhecimento internacional no Índice de Governo Digital posiciona Portugal como um modelo de excelência em transformação digital pública, mas evidencia igualmente que a jornada é contínua. Uma digitalização bem-sucedida exige alinhamento entre tecnologia, políticas públicas e envolvimento da sociedade, criando um ecossistema onde inovação e confiança caminham lado a lado. Este equilíbrio será fundamental para que Portugal mantenha a liderança e inspire outros países na adopção de práticas digitais modernas, inclusivas e eficazes.
Autor: Diego Velázquez

