Em 2024, o Disque 100 registrou mais de 72 mil casos de golpes e violações patrimoniais contra pessoas acima de 60 anos no Brasil. No primeiro semestre daquele ano, essa faixa etária representou quase um terço de todas as denúncias recebidas pelo canal. Os números mostram não apenas a escala do problema, mas também um padrão: idosos são o público preferencial de golpistas precisamente porque reúnem características que os tornam alvos mais vulneráveis, renda estável, confiança em figuras de autoridade e menor familiaridade com dinâmicas digitais. O Sindnapi, Sindicato Nacional dos Aposentados, Pensionistas e Idosos, orienta que conhecer os golpes mais aplicados é a forma mais eficaz de não cair neles.
A engenharia por trás da maioria desses crimes é chamada de engenharia social: uma técnica de manipulação que explora emoções, como medo, urgência e afeto, para obter informações ou transferências financeiras sem que a vítima perceba o que está acontecendo. Gerações que cresceram em ambientes de maior confiança interpessoal tendem a ser mais receptivas a abordagens que simulam autoridade ou vínculos afetivos. Isso não é ingenuidade, é uma característica de um contexto cultural diferente, e os golpistas sabem disso.
Ao longo deste artigo, o Sindnapi detalha os golpes mais aplicados hoje, explica como cada um funciona e orienta o que fazer para proteger você e sua família antes que o prejuízo aconteça.
Quais são os golpes mais aplicados contra idosos hoje?
O golpe do falso funcionário de banco ou do INSS é o mais recorrente. O golpista liga se passando por atendente de uma instituição financeira ou do próprio INSS, informando um problema na conta ou no benefício e solicitando dados pessoais, senhas ou transferências para “regularizar” a situação. Um detalhe importante: o INSS nunca entra em contato ativo por telefone, WhatsApp ou SMS pedindo senhas ou documentos. Qualquer consulta deve partir do próprio cidadão pelos canais oficiais.
O golpe do consignado falso funciona de forma parecida. O criminoso oferece por telefone um empréstimo com condições atrativas ou uma portabilidade vantajosa e solicita dados pessoais para “fechar a proposta”. Com esses dados, contrata um empréstimo real em nome da vítima, que só percebe o problema quando os descontos aparecem no contracheque do benefício. O golpe do PIX errado é mais recente e tecnicamente simples: o golpista envia um valor pequeno para a conta do idoso e, em seguida, pede a devolução para uma conta diferente da que fez o envio. Depois, ainda solicita estorno ao banco, ficando com o dinheiro duas vezes. A devolução correta de um PIX deve ser feita sempre pelo botão oficial dentro do aplicativo bancário, nunca por transferência manual para outro número.
O golpe do falso neto ou filho usa a emoção como principal ferramenta. O golpista liga ou manda mensagem pelo WhatsApp com um número desconhecido, finge ser um familiar em situação de emergência, como acidente, batida de carro ou detenção numa blitz, e pede transferência urgente. A foto de perfil pode ser a do familiar real, copiada das redes sociais. A pressão emocional e a urgência são calculadas para impedir que a vítima pare para verificar.

Como proteger quem você ama de cair nesses golpes?
A orientação mais eficaz para familiares de idosos, dada pelo Sindnapi – Sindicato Nacional dos Aposentados, Pensionistas e Idosos, é criar combinações secretas com antecedência. Uma palavra ou pergunta que apenas membros da família conhecem pode ser usada para verificar se quem está pedindo ajuda é realmente quem diz ser. Além disso, a regra de ouro para situações de urgência financeira é sempre desligar e ligar de volta para o número que a família conhece, nunca para o número que originou o contato suspeito.
Nenhum banco, operadora ou instituição séria solicita senhas, códigos de segurança ou instalação de aplicativos por telefone. Qualquer abordagem com essas características é golpe, independentemente de quão convincente seja a história. Bancos nunca enviam funcionários ou motoboys para recolher cartões na residência do cliente. E nenhum empréstimo legítimo exige pagamento antecipado de taxa ou parcela para ser liberado.
Em caso de golpe, o que fazer imediatamente?
Avisar o banco imediatamente para bloqueio da conta e da senha de acesso é o primeiro passo. Em seguida, registrar boletim de ocorrência presencialmente ou pela plataforma da Polícia Civil, com o máximo de informações disponíveis: valores, datas, chaves PIX e números de contato utilizados pelo golpista. Denúncias também podem ser feitas pelo Disque 100, que funciona 24 horas, todos os dias, de forma gratuita e sigilosa.
O Sindicato Nacional dos Aposentados, Pensionistas e Idosos orienta que a melhor proteção começa antes do golpe: com informação, conversa em família e o hábito de desconfiar de abordagens urgentes, vantajosas demais ou que peçam qualquer dado pessoal por telefone ou mensagem. Proteção financeira e proteção de direitos caminham juntas, e o Sindnapi está disponível para apoiar associados que tenham dúvidas ou que precisem de orientação após uma situação suspeita. Sede Nacional: (11) 3293-7500 | WhatsApp: (11) 92007-9443.
Autor: Diego Rodríguez Velázquez

