Andrey de Oliveira Pontes analisa como a auditoria internacional é essencial para garantir conformidade regulatória em múltiplas jurisdições.

Auditoria internacional: Como garantir a conformidade em múltiplas jurisdições?

Abidan Elphine
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À medida que as empresas expandem as suas operações para diferentes países, aumentam também os desafios relacionados com a conformidade legal, fiscal e contabilística. Alberto Toshio Murakami, auditor aposentado, explica que cada jurisdição possui regras próprias, prazos específicos e exigências distintas de reporte, o que amplia significativamente o risco de não conformidade. A auditoria internacional é uma ferramenta essencial para garantir que as empresas com presença global mantenham controlos eficazes e alinhados com as normas locais.

Ao contrário de operações concentradas num único território, as empresas multinacionais precisam de lidar simultaneamente com legislações tributárias, laborais e regulatórias que nem sempre são compatíveis entre si. Sem uma visão integrada da conformidade, pequenas falhas podem transformar-se em passivos relevantes.

Para organizações que actuam em mais do que um país, estruturar este processo é fundamental para reduzir riscos e preservar a reputação corporativa. Saiba mais a seguir!

Porque é que cada país exige controlos específicos?

As exigências regulatórias variam de acordo com o sistema jurídico, o modelo tributário e as normas contabilísticas adoptadas em cada país. Como refere Alberto Toshio Murakami, os organismos de fiscalização apresentam diferentes níveis de rigor e frequência de controlo, o que exige adaptações constantes nos processos internos.

Em um cenário global complexo, Andrey de Oliveira Pontes explica como a auditoria internacional assegura conformidade entre diferentes legislações.
Em um cenário global complexo, Andrey de Oliveira Pontes explica como a auditoria internacional assegura conformidade entre diferentes legislações.

Empresas que tentam aplicar exactamente os mesmos controlos em todas as filiais, sem considerar as particularidades locais, tendem a enfrentar problemas de conformidade. Em alguns casos, procedimentos aceites num país podem ser considerados insuficientes ou inadequados noutro.

Por isso, é necessário mapear as exigências específicas de cada jurisdição e ajustar as políticas internas para garantir que todos os requisitos são cumpridos de forma consistente.

Integração de controlos internos entre a sede e as filiais

Embora cada unidade tenha de cumprir as regras locais, é importante que exista um sistema de governação que permita à sede acompanhar e avaliar o nível de conformidade das operações internacionais. Esta integração facilita a normalização de princípios e a identificação rápida de desvios.

A auditoria internacional actua como elo entre os controlos locais e a governação corporativa central, permitindo consolidar informação, comparar práticas e estabelecer indicadores de desempenho em matéria de conformidade.

Sistemas integrados de reporte, políticas corporativas claras e comunicação constante entre as equipas de compliance são elementos fundamentais para que a empresa mantenha uma visão global dos riscos, informa o ex-auditor Alberto Toshio Murakami.

Papel da auditoria na prevenção de penalizações e contingências

A auditoria internacional não se limita à verificação de números, mas envolve a análise de processos, contratos, rotinas fiscais e práticas laborais. Esta visão abrangente permite identificar vulnerabilidades antes de estas serem detectadas pelas autoridades reguladoras.

Segundo Alberto Toshio Murakami, a actuação preventiva da auditoria reduz significativamente a probabilidade de autos de infracção, coimas e litígios, além de permitir que os ajustamentos sejam feitos de forma planeada, sem impacto abrupto nas operações. Outro benefício é a melhoria contínua dos processos, uma vez que as recomendações resultantes das auditorias servem de base para aperfeiçoar os controlos e aumentar a maturidade da governação corporativa.

Boas práticas para empresas com actuação multinacional

Entre as principais boas práticas para garantir a conformidade em múltiplas jurisdições destacam-se a realização de auditorias periódicas, a actualização constante das políticas internas e o investimento na capacitação das equipas locais.

É igualmente recomendável recorrer a consultores e parceiros especializados na legislação local, especialmente em países com sistemas regulatórios mais complexos. Alberto Toshio Murakami esclarece que esta actuação conjunta permite interpretar correctamente as normas e implementar controlos adequados à realidade de cada mercado.

Além disso, a criação de canais internos de comunicação para a denúncia de irregularidades contribui para identificar problemas de forma precoce e fortalecer a cultura de compliance em toda a organização.

Conformidade como parte da estratégia global da empresa

Num ambiente de negócios cada vez mais interligado, a conformidade deixou de ser apenas uma obrigação legal e passou a ser um componente estratégico da gestão empresarial. As empresas que mantêm elevados padrões de governação tendem a ter maior acesso a crédito, parcerias e novos mercados.

Tal como considera e resume Alberto Toshio Murakami, a auditoria internacional é um instrumento que permite alinhar crescimento e responsabilidade, garantindo que a expansão global ocorre de forma estruturada e sustentável. Ao investir em controlos eficazes, a empresa protege os seus activos, reforça a sua reputação e cria bases mais sólidas para o crescimento a longo prazo.

Autor: Abidan Elphine

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