Enquanto a taxa de administração remunera de forma fixa os serviços prestados a um fundo, a taxa de performance recompensa o gestor apenas quando a rentabilidade supera um referencial previamente definido, mecanismo sujeito a regras específicas de apuração
A ID CTVM acompanha de perto a forma como fundos estruturados remuneram os serviços de gestão e administração prestados a cada veículo, cobrança que, segundo Rodrigo Balassiano, costuma se dividir entre taxa de administração e taxa de performance, duas modalidades com lógicas bastante distintas entre si. Para Rodrigo Balassiano, diretor da ID CTVM, entender essa diferença é relevante para qualquer investidor que avalie o custo total de uma posição em FIDC ou em outro veículo de crédito estruturado sob administração da ID CTVM, já que as duas taxas impactam diretamente a rentabilidade líquida entregue ao cotista ao final de cada período.
Enquanto a taxa de administração é cobrada de forma fixa e previsível, a taxa de performance depende do desempenho do fundo em relação a um referencial de mercado, o que exige do administrador fiduciário e do gestor uma comunicação clara sobre como cada uma dessas cobranças é calculada e apropriada ao longo do tempo.
Taxa de administração remunera a estrutura fixa de serviços do fundo
A taxa de administração remunera o conjunto de serviços que sustentam o funcionamento operacional de um fundo estruturado, entre eles a administração fiduciária, a gestão da carteira, a custódia dos ativos e, em muitos casos, a controladoria e a escrituração das cotas. Calculada geralmente como um percentual ao ano incidente sobre o patrimônio líquido do fundo, essa taxa é apropriada de forma diária na cota e cobrada independentemente do desempenho da carteira no período, o que garante previsibilidade de receita para os prestadores de serviço e de custo para o investidor.
Para Rodrigo Balassiano, diretor da ID CTVM, a transparência na composição da taxa de administração é um elemento central da relação de confiança entre o fundo e seus cotistas:
“Um investidor precisa entender, com clareza, exatamente pelo que está pagando quando aplica recursos em um fundo estruturado. A taxa de administração remunera a estrutura que garante o funcionamento seguro e regular do fundo no dia a dia, e essa composição precisa estar descrita no regulamento de forma acessível, sem ambiguidades que possam gerar dúvidas sobre o que efetivamente está sendo cobrado”, afirma o executivo.
Taxa de performance recompensa resultado acima de um referencial
Já a taxa de performance, quando prevista no regulamento de um fundo, remunera o gestor de forma adicional apenas quando a rentabilidade da carteira supera um referencial previamente definido, como um percentual do CDI ou outro indexador de mercado. Essa cobrança costuma estar condicionada ao mecanismo conhecido como linha d’água, que representa o maior valor histórico já atingido pela cota no momento da última apropriação da taxa: uma nova cobrança só ocorre quando a cota volta a superar esse patamar, o que evita que o gestor seja remunerado duas vezes pelo mesmo ganho em cenários de recuperação após uma queda de rentabilidade. A apuração efetiva da taxa de performance costuma ocorrer em periodicidade mínima semestral, ainda que sua apropriação contábil na cota seja realizada diariamente.
Clareza regulamentar reduz espaço para divergência de interpretação
A definição precisa de como cada taxa é calculada, apropriada e divulgada aos cotistas precisa constar de forma explícita no regulamento de cada fundo, documento que a Comissão de Valores Mobiliários exige que esteja disponível de forma permanente e de fácil acesso aos investidores. Essa exigência de transparência ganhou reforço adicional com a consolidação promovida pela Resolução CVM 175, que unificou o arcabouço normativo aplicável a diferentes tipos de fundos e ampliou as obrigações de divulgação de informações relacionadas a custos e taxas cobradas dos cotistas.
Comparação entre estruturas exige atenção ao custo total do investimento
Para investidores que comparam diferentes opções de fundos estruturados, olhar isoladamente para a taxa de administração pode levar a conclusões equivocadas sobre o custo real de um investimento. Um fundo com taxa de administração baixa, mas com taxa de performance elevada e condições de cobrança pouco rigorosas, pode ter um custo total superior ao de uma estrutura com taxa de administração mais alta, porém sem cobrança de performance. Por isso, a comparação de custos entre diferentes fundos deve levar em conta o efeito combinado das duas taxas ao longo de diferentes cenários de rentabilidade, e não apenas o percentual isolado de cada uma.
Essa precisão depende diretamente da qualidade dos processos de controladoria responsáveis por calcular, dia após dia, o valor da cota de cada fundo e por apropriar corretamente cada uma das taxas incidentes sobre o patrimônio administrado. Um sistema de controladoria com baixo nível de automação eleva o risco de inconsistências na apuração dessas cobranças, o que pode gerar divergências entre o valor efetivamente devido e o valor informado ao cotista em seu extrato.
A ID CTVM, que reúne mais de 9 mil contas operacionais ativas vinculadas a fundos estruturados sob sua administração, acompanha de perto a estruturação de taxas de administração e de performance nos regulamentos dos fundos que administra, apoiada em processos de controladoria com conciliação em tempo real, buscando assegurar que a redação desses dispositivos seja clara o suficiente para eliminar ambiguidades na cobrança.
Perspectivas para a remuneração de gestores de fundos estruturados
Com a indústria de fundos estruturados atraindo uma base cada vez mais diversificada de investidores, a tendência é que a exigência por clareza na estrutura de remuneração de administradores e gestores continue crescendo, tanto entre investidores institucionais experientes quanto entre investidores pessoa física que ingressam nesse mercado com menor familiaridade sobre esses mecanismos. Para administradores fiduciários, garantir que essa informação esteja disponível de forma acessível e bem explicada tende a se consolidar como parte relevante da proposta de valor oferecida ao mercado de crédito privado.
Sobre a ID CTVM
A ID CTVM é uma instituição especializada em infraestrutura para o mercado de capitais, com serviços de administração fiduciária, custódia, escrituração, controladoria e distribuição de fundos de investimento. Fundada em 2020, a companhia reúne atualmente mais de 550 fundos e mais de R$ 50 bilhões sob administração e custódia, com presença relevante em estruturas como FIDCs, FIPs e FIIs. Combinando tecnologia, governança, conhecimento regulatório e eficiência operacional, a ID oferece suporte a gestores, investidores, empresas e demais participantes do mercado, contribuindo para operações mais seguras, eficientes e transparentes.

