O Dr. Rodrigo Gonçalves Pimentel, especialista em estruturação patrimonial internacional, elucida que todo patrimônio empresarial tem basicamente três destinos possíveis na travessia de uma geração para a seguinte. A escolha entre eles determina se a família seguirá operando o negócio, viverá de renda contratada ou passará a administrar capital financeiro.
Os três caminhos não são excludentes, e a maioria das famílias combina dois deles em proporções distintas. O que muda em cada arranjo é o grau de envolvimento exigido, o tipo de risco assumido e a velocidade com que o patrimônio se transforma em dinheiro disponível para quem depende dele.
O primeiro caminho mantém a operação com gestão profissional
Manter a empresa funcionando é a rota mais natural e também a mais exigente. Ela pressupõe alguém com preparo técnico na direção executiva, metas acordadas, orçamento aprovado e uma instância que acompanhe o resultado mês a mês. A família permanece dona do negócio sem precisar assinar cada decisão da rotina, o que exige confiança construída sobre números e não sobre proximidade pessoal.
A figura do executivo contratado é o que viabiliza esse desenho, demonstram os advogados Rodrigo Gonçalves Pimentel e Sideni Soncini Pimentel. O herdeiro migra da diretoria para o conselho, onde discute estratégia, aprova investimento relevante e avalia desempenho, em lugar de responder por compra de insumo, escala de turno e reclamação de cliente. A cobrança sobre a diretoria passa a ser formal, com relatório e prazo.
O segundo caminho transforma ativo em renda previsível
Quem não deseja operar pode converter o ativo em fonte de renda, sugere o advogado Rodrigo Gonçalves Pimentel. A indústria pode virar galpão locado, a fazenda pode ser arrendada com trava de preço em saca e a rede de lojas próprias pode migrar para o modelo de franquia, com o bem permanecendo na família.

Contratos de longo prazo são o coração desse arranjo, relata Sideni Soncini Pimentel, desembargador aposentado que hoje atua de forma consultiva e estratégica na advocacia. Cláusula de reajuste, garantia de pagamento e critério de rescisão determinam se a renda combinada no papel vai se sustentar ao longo dos anos. Contrato frágil transfere ao proprietário o risco que ele pretendia terceirizar.
O terceiro caminho converte patrimônio em capital financeiro
A venda total ou parcial da operação abre a rota mais líquida das três, ressalta Rodrigo Gonçalves Pimentel. O valor apurado deixa de depender de um único setor e passa a ser distribuído entre participações, imóveis e títulos dentro de um veículo com regra própria de funcionamento.
A vantagem está na divisibilidade. Uma fábrica não se reparte entre quatro herdeiros sem perder valor, enquanto cotas de um fundo se dividem em qualquer proporção. A família deixa de discutir quem fica com qual bem e passa a tratar de percentual, política de distribuição e horizonte de investimento. A partilha vira conta aritmética, e não disputa por afinidade com determinado bem.
Como escolher entre os três caminhos?
A decisão começa por um inventário honesto de vocação. Nem toda família tem alguém disposto a operar, e insistir nesse ponto costuma produzir gestão sem entusiasmo e resultado abaixo do potencial. Mapear quem quer trabalhar no negócio, quem prefere renda e quem busca liquidez organiza a conversa antes de qualquer estrutura jurídica.
O passo seguinte é medir a dependência de caixa de cada ramo da família. Rodrigo Gonçalves Pimentel enfatiza que um herdeiro sem outra fonte de renda tende a pressionar por distribuição, e uma estrutura que ignora essa realidade acaba renegociada sob conflito poucos anos depois.
Sobre os especialistas
Rodrigo Gonçalves Pimentel é advogado, empresário e sócio do Pimentel & Mochi Advogados Associados. Sua atuação envolve questões empresariais, patrimoniais, societárias e sucessórias relacionadas a empresários e famílias empresárias.
Sideni Soncini Pimentel é advogado, desembargador aposentado e integrante do Pimentel & Mochi Advogados Associados. Após uma trajetória de mais de quatro décadas na magistratura, iniciou uma nova fase profissional na advocacia, com atuação consultiva e estratégica.

