Dr. Vinicius Tadeu Sattin Rodrigues

O sedentarismo não é apenas falta de exercício e pode afetar a saúde mesmo de quem treina

Lorenzo Bellieri
5 Min de leitura

O Dr. Vinicius Tadeu Sattin Rodrigues refere que, quando pensam em prevenção, muitas mulheres consideram apenas a realização de exames periódicos, deixando de lado hábitos quotidianos que também influenciam diretamente o risco de desenvolver diferentes problemas de saúde ao longo da vida. O sedentarismo é um exemplo claro desta lacuna, sendo frequentemente abordado apenas em relação ao peso corporal, quando, na verdade, o seu impacto vai muito além disso.

Passar longos períodos sentada, seja devido às exigências profissionais, seja por hábitos de lazer predominantemente sedentários, está associado a alterações metabólicas, cardiovasculares e até hormonais que se acumulam silenciosamente ao longo dos anos, independentemente do peso corporal da pessoa.

Ao longo deste artigo, ficará a perceber por que razão o sedentarismo representa mais do que a ausência de exercício físico, de que forma se relaciona com o risco de diferentes doenças e por que motivo incorporar movimento na rotina complementa, sem substituir, a realização de exames preventivos.

O movimento quotidiano é essencial para combater os efeitos do sedentarismo

O sedentarismo não se define apenas pela ausência de atividade física estruturada, mas também pelo tempo prolongado que uma pessoa passa em posições de baixo gasto energético ao longo do dia, mesmo que pratique exercício pontualmente noutros momentos da rotina.

Segundo o Dr. Vinicius Rodrigues, uma pessoa pode praticar exercício regularmente e, ainda assim, ser considerada sedentária, caso passe a maior parte das restantes horas do dia sentada, o que demonstra que o conceito envolve o padrão geral de movimento ao longo de todo o dia, e não apenas a realização de um treino pontual.

Dr. Vinicius Tadeu Sattin Rodrigues
Dr. Vinicius Tadeu Sattin Rodrigues

Por isso, reduzir o tempo passado sentado e incluir mais movimento nas atividades quotidianas complementa a prática de exercício e contribui para uma rotina fisicamente mais ativa. Alguns exemplos ajudam a compreender esta diferença:

  • Tempo sentado: permanecer muitas horas seguidas sentado, seja a trabalhar, a estudar ou a ver televisão, caracteriza um padrão sedentário.
  • Movimento quotidiano: caminhar pela casa, subir escadas e realizar tarefas domésticas aumentam o nível geral de movimento, mesmo sem serem considerados exercícios estruturados.
  • Exercício planeado: caminhada, musculação, corrida ou outra atividade programada têm benefícios próprios, mas não anulam automaticamente longos períodos de inatividade.
  • Interrupção do tempo sentado: levantar-se regularmente, caminhar durante alguns minutos e alternar posições ajuda a reduzir períodos prolongados de comportamento sedentário.

Mecanismos hormonais relacionados com a falta de movimento aumentam o risco de cancro

O comportamento sedentário prolongado está associado, segundo diferentes estudos, a um maior risco de doenças cardiovasculares, diabetes tipo 2 e determinados tipos de cancro, incluindo o cancro da mama, através de mecanismos que envolvem inflamação crónica e alterações hormonais relacionadas com a falta de movimento regular.

Por conseguinte, conforme observado pelo Dr. Vinicius Rodrigues, estes mecanismos atuam de forma gradual e cumulativa, reforçando a importância da redução do tempo sedentário ao longo da vida enquanto estratégia relevante de prevenção, independentemente da prática de atividade física estruturada noutros momentos do dia.

Prevenção que vai além dos exames

Pequenas mudanças, como pausas regulares para se levantar durante o trabalho, caminhadas curtas ao longo do dia e a redução do tempo total passado em posições sedentárias, contribuem para diminuir o impacto acumulado do sedentarismo, complementando a estratégia preventiva que inclui também a realização de exames periódicos.

O Dr. Vinicius Rodrigues reafirma que o conceito de prevenção deve abranger os hábitos quotidianos e não se limitar a um calendário de exames a cumprir. Esta abordagem amplia significativamente a capacidade de reduzir riscos ao longo da vida. Assim, a saúde preventiva não se resume à realização periódica de exames, abrangendo também a atenção contínua a comportamentos como o sedentarismo, cujos efeitos se acumulam silenciosamente ao longo dos anos.

Neste sentido, a prevenção não depende de mudanças radicais na rotina, mas sim da combinação entre atividade física regular e maior movimento nas tarefas do dia a dia. É recomendável prestar atenção ao tempo que se permanece parado e criar oportunidades para se movimentar ao longo do dia, de modo a tornar este cuidado mais constante e sustentável.

Partilhe este artigo
Deixe um comentário

Deixe um comentário