Famílias com crédito à habitação a taxa variável enfrentam novas subidas das prestações em setembro, com aumentos que podem ultrapassar os 70 euros mensais nos contratos indexados à Euribor a 12 meses.
As famílias portuguesas com crédito à habitação a taxa variável voltam a enfrentar um agravamento dos encargos mensais em setembro de 2026. Os contratos indexados às taxas Euribor a três, seis e 12 meses que sejam revistos durante este mês terão prestações mais elevadas, num momento em que a evolução das taxas de juro volta a colocar pressão sobre os orçamentos familiares. No caso dos empréstimos associados à Euribor a 12 meses, o aumento é o mais significativo e representa um dos maiores agravamentos registados nos últimos três anos.
De acordo com simulações realizadas para um empréstimo de 150 mil euros, contratado por 30 anos e com um spread de 1%, uma família com crédito indexado à Euribor a 12 meses poderá passar a pagar uma prestação mensal de 712,15 euros. Isto representa mais 70,48 euros por mês face ao valor pago desde a revisão realizada em setembro de 2025.
Também existem aumentos para os outros principais indexantes. Nos contratos associados à Euribor a seis meses, a prestação simulada sobe 47,42 euros, atingindo 691,53 euros mensais. Para as famílias com contratos indexados à Euribor a três meses, a subida é mais moderada, mas continua a representar um aumento dos encargos mensais.
Euribor volta a pressionar os créditos à habitação
A evolução das prestações está diretamente relacionada com o comportamento das taxas Euribor. Estes indexantes são utilizados como referência em grande parte dos contratos de crédito à habitação a taxa variável existentes em Portugal e determinam, juntamente com o spread contratado com o banco, a taxa de juro aplicada ao empréstimo.
Quando chega o momento da revisão do contrato, o banco utiliza a média mensal da Euribor correspondente ao indexante previsto. Num empréstimo associado à Euribor a seis meses, por exemplo, a taxa é normalmente atualizada de seis em seis meses. Na Euribor a 12 meses, a revisão ocorre anualmente, enquanto na Euribor a três meses acontece quatro vezes por ano.
A diferença entre a Euribor utilizada na revisão anterior e a nova média determina grande parte da alteração da prestação. É por isso que duas famílias com créditos aparentemente semelhantes podem sentir impactos diferentes em setembro: tudo depende do indexante, do capital ainda em dívida, do prazo restante, do spread e da data em que o contrato é revisto.
Euribor a 12 meses provoca o maior aumento
Entre os três principais prazos, são os contratos associados à Euribor a 12 meses que enfrentam o impacto mais expressivo nesta revisão. Na simulação utilizada como referência, a prestação aumenta de cerca de 641,67 euros para 712,15 euros, correspondendo a um agravamento mensal superior a 70 euros.
Em termos anuais, uma diferença de 70,48 euros por mês representa aproximadamente 846 euros adicionais durante 12 meses, caso as restantes condições do empréstimo permaneçam inalteradas. Para agregados familiares que já enfrentam despesas elevadas com habitação, alimentação, energia, transportes e outros encargos, esta diferença pode obrigar a um novo ajustamento do orçamento.
O aumento é particularmente relevante porque ocorre depois de um período em que muitas famílias beneficiaram da descida das taxas. A inversão dessa trajetória significa que alguns mutuários voltam agora a enfrentar prestações mais elevadas à medida que chegam as datas de revisão dos contratos.
Euribor a seis meses também aumenta prestação
Os contratos indexados à Euribor a seis meses também são significativamente afetados. Na mesma simulação de 150 mil euros, 30 anos e spread de 1%, a prestação passa para aproximadamente 691,53 euros, correspondendo a mais 47,42 euros face ao valor pago desde a revisão anterior.
A Euribor a seis meses assume especial importância no mercado português. Dados do Banco de Portugal referentes a junho indicam que este prazo representava cerca de 39,9% do stock dos empréstimos para habitação própria permanente com taxa variável, tornando-o o indexante mais representativo entre os principais prazos.
A Euribor a 12 meses correspondia a aproximadamente 31,3% desse stock, enquanto a taxa a três meses representava cerca de 24,38%. Isto significa que alterações relativamente pequenas nestas taxas podem atingir um número significativo de famílias portuguesas.
Taxas voltaram a aproximar-se dos 3%
A pressão sobre as prestações tornou-se mais evidente durante o verão. A Euribor a 12 meses voltou a aproximar-se da barreira dos 3%, enquanto os indexantes a três e seis meses também registaram movimentos ascendentes.
Em 1 de setembro de 2026, a Euribor situava-se em aproximadamente 2,593% a três meses, 2,770% a seis meses e 3,003% a 12 meses. A passagem da taxa anual novamente para a zona dos 3% é particularmente relevante para quem possui contratos sujeitos a revisão durante este período.
As taxas Euribor reagem às expectativas do mercado relativamente à política monetária, à inflação e à evolução económica da zona euro. Por isso, alterações nas perspetivas para as taxas diretoras do Banco Central Europeu acabam por refletir-se nos indexantes utilizados nos créditos à habitação.
Famílias devem analisar as condições dos contratos
O impacto real da subida não será igual para todos os clientes. Os valores apresentados resultam de simulações e servem sobretudo para demonstrar a dimensão potencial do aumento. Um agregado com um empréstimo superior a 150 mil euros poderá enfrentar uma diferença maior, enquanto quem possui menos capital em dívida poderá ter um impacto inferior.
O prazo restante também é determinante. Dois créditos com exatamente o mesmo montante em dívida podem apresentar prestações diferentes caso tenham períodos de amortização distintos. O mesmo acontece com o spread negociado com o banco.
Por essa razão, as famílias devem consultar as condições específicas do contrato e verificar quando ocorre a próxima revisão. A informação permite antecipar o valor aproximado da nova prestação e perceber antecipadamente o impacto que terá no orçamento mensal.
Renegociação pode ser uma alternativa
Perante um aumento significativo da prestação, os consumidores podem avaliar as condições oferecidas pela própria instituição financeira ou por outros bancos. A renegociação do spread, a alteração do tipo de taxa e a transferência do crédito são algumas das possibilidades existentes no mercado, embora qualquer decisão deva considerar todos os custos envolvidos.
Uma redução do spread pode diminuir os juros cobrados sobre o empréstimo. Já uma eventual mudança de taxa variável para uma solução fixa ou mista pode proporcionar maior previsibilidade, mas não significa necessariamente que o custo total seja inferior.
Também é importante analisar produtos associados ao empréstimo, como seguros de vida e multirriscos. Em alguns casos, o custo global do crédito pode ser influenciado significativamente por estes serviços, pelo que uma comparação não deve considerar apenas o valor da prestação apresentado pelo banco.
Setembro traz nova pressão para o orçamento das famílias
O aumento das prestações ocorre num contexto em que a habitação continua a representar uma das principais despesas dos agregados familiares portugueses. Para quem possui um empréstimo a taxa variável, o regresso das subidas da Euribor significa que parte do alívio proporcionado anteriormente pela redução das taxas poderá desaparecer.
Os contratos indexados à Euribor a 12 meses serão os mais penalizados entre os exemplos analisados para setembro, mas os aumentos também atingem os prazos a três e seis meses. A dimensão concreta dependerá sempre das características individuais de cada empréstimo.
Com as taxas Euribor novamente em níveis próximos dos 3%, a evolução dos juros continuará a ser um dos indicadores mais importantes para quem tem crédito à habitação em Portugal. Setembro começa, assim, com um novo desafio para milhares de famílias: acomodar prestações mais elevadas e preparar o orçamento para um período em que a trajetória das taxas de juro volta a ser marcada por maior incerteza.
Os valores resultam das simulações da DECO Proteste para a Lusa e referem-se especificamente a um financiamento de 150 mil euros, a 30 anos e com spread de 1%. (Sábado)
Fontes:
ECO — Prestação da casa dá em setembro maior salto em três anos
Dinheiro Vivo — Prestação da casa sobe em setembro nos principais prazos da Euribor
Sábado — Crédito a taxa variável fica mais caro em setembro
Doutor Finanças — Evolução da Euribor e impacto no crédito à habitação em 2026

