As taxas Euribor registaram novos máximos em vários prazos e milhares de famílias portuguesas poderão sentir um aumento nas prestações do crédito à habitação.
A subida da Euribor voltou a colocar o crédito à habitação no centro das preocupações das famílias portuguesas. Nos primeiros dias de agosto, as taxas de referência utilizadas pela maioria dos contratos de crédito em Portugal registaram novos máximos em vários prazos, aumentando a expectativa de prestações mais elevadas para quem tem empréstimos com taxa variável. O movimento acontece numa altura em que o Banco Central Europeu (BCE) mantém uma política monetária prudente perante as pressões inflacionistas e a instabilidade geopolítica internacional. (tsf.pt)
Para milhares de agregados familiares, a principal dúvida é simples: quanto poderá aumentar a prestação mensal da casa? Embora o impacto dependa da data da revisão do contrato, do prazo da Euribor utilizado e do montante em dívida, especialistas admitem que agosto marca um novo agravamento dos encargos para muitos mutuários. Perceber o que está a acontecer e como funciona a atualização dos empréstimos tornou-se essencial para quem pretende organizar o orçamento familiar.
Porque voltou a subir a Euribor?
A Euribor é a principal taxa de referência utilizada nos créditos à habitação com taxa variável em Portugal. É calculada diariamente com base nas taxas praticadas pelos principais bancos da Zona Euro e reflete as expectativas do mercado relativamente à evolução da política monetária do Banco Central Europeu. Quando esta taxa sobe, os empréstimos indexados à Euribor tornam-se mais caros; quando desce, acontece o inverso. (BPstat)
Nos últimos dias, a Euribor a três e a seis meses voltou a atingir os valores mais elevados desde 2025, refletindo a crescente incerteza dos mercados financeiros. Apesar de o BCE ter mantido recentemente as taxas diretoras, fatores como as tensões geopolíticas internacionais, a evolução da inflação e as expectativas de futuras decisões monetárias continuam a pressionar as taxas interbancárias. (tsf.pt)
Portugal continua a ser um dos países europeus onde a maioria dos contratos de crédito à habitação utiliza taxas variáveis, sobretudo indexadas à Euribor a seis meses. Por esse motivo, qualquer alteração nesta referência tem impacto direto nas prestações pagas pelas famílias.
Quanto pode aumentar a prestação da casa?
O aumento não será igual para todos os mutuários. Depende do prazo da Euribor contratado, do valor ainda em dívida, do spread negociado com o banco e da data prevista para a revisão da prestação. Quem tiver contratos revistos durante agosto poderá sentir imediatamente o efeito da subida das taxas.
Simulações divulgadas por especialistas do setor financeiro mostram que um crédito de 150 mil euros, com prazo de 30 anos e spread de 1%, poderá sofrer aumentos mensais que variam entre algumas dezenas de euros, dependendo do indexante utilizado. Em determinados contratos, os acréscimos podem aproximar-se dos 60 euros por mês face às revisões anteriores. (Idealista)
Embora o mercado tenha registado um crescimento da contratação de empréstimos com taxa fixa ou mista nos últimos anos, uma parte significativa das famílias continua exposta às oscilações da Euribor. Para muitos agregados, o aumento da prestação representa um novo desafio num contexto já marcado pelo elevado custo da habitação, da alimentação e da energia.
O que podem fazer as famílias para reduzir o impacto?
Especialistas em crédito recomendam que os mutuários analisem regularmente as condições do seu contrato. Em muitos casos poderá existir margem para renegociar o spread junto do banco, transferir o crédito para outra instituição ou converter parte do empréstimo para uma taxa fixa ou mista, reduzindo a exposição às futuras oscilações da Euribor.
Outra recomendação passa por reforçar a poupança destinada às despesas da habitação e evitar assumir novos encargos financeiros enquanto persistir um cenário de juros elevados. As famílias que antecipam dificuldades no pagamento da prestação devem contactar antecipadamente a instituição financeira, uma vez que existem mecanismos de acompanhamento e soluções de reestruturação previstos na legislação portuguesa.
A evolução da Euribor continuará a depender das próximas decisões do Banco Central Europeu e da evolução da inflação na Zona Euro. Enquanto persistirem sinais de incerteza económica internacional, os especialistas admitem que as taxas possam manter-se em níveis relativamente elevados durante os próximos meses. Para quem tem crédito à habitação, acompanhar estes indicadores tornou-se uma necessidade para planear o orçamento familiar e antecipar possíveis aumentos da prestação da casa. (Idealista)

