PCP e Chega insistem em debate de urgência no dia da divulgação dos resultados, enquanto o Governo mantém confiança em Fernando Alexandre.
A polémica em torno das falhas na correção digital dos exames nacionais está a transformar-se num dos principais focos de tensão política do verão em Portugal. O PCP entregou na Assembleia da República um requerimento a pedir um debate de urgência potestativo para o dia 17 de julho, precisamente a data em que devem ser divulgados os resultados de mais de 300 mil exames do ensino secundário, exigindo que o ministro da Educação, Fernando Alexandre, preste esclarecimentos nesse mesmo dia. O Chega, que já tinha visto um pedido anterior indeferido pelo presidente da Assembleia da República, José Pedro Aguiar Branco, anunciou que vai insistir na realização de um debate de urgência na mesma sessão plenária. O ministro garante que o prazo de correção será cumprido “com rigor”.
O que está na origem da crise dos exames
Os problemas começaram com falhas técnicas na nova plataforma digital de classificação dos exames nacionais, que obrigaram o Ministério da Educação a adiar prazos e datas anteriormente fixadas. Os professores avaliadores, que inicialmente teriam até dia 10 de julho para classificar as provas, viram esse prazo prolongado até dia 14, e a divulgação dos resultados, que estava marcada para o dia 14, passou para dia 17. Segundo denúncias de professores citadas por partidos da oposição, foram dadas orientações para os avaliadores corrigirem provas mesmo quando estavam incompletas, e a plataforma de avaliação sofreu diversas suspensões temporárias ao longo da última semana. A Fenprof, federação que representa os professores, classificou o processo como um “caos” e acusou o Ministério de amadorismo na gestão da correção.
A situação agravou-se ainda mais depois de ter sido revelado que o próprio ministro da Educação, o secretário de Estado e elementos dos respetivos gabinetes tiveram acesso ao espaço onde estão concentradas as provas de exame, um episódio que levou o PS a considerar que a confiança na fiabilidade de todo o processo ficou “irremediavelmente comprometida”. O secretário de Estado Adjunto e da Educação, Alexandre Homem Cristo, reconheceu que um erro de programação impediu que o sistema filtrasse corretamente provas incompletas, o que levou alguns professores a receberem, por exemplo, respostas por completar para avaliação.
A resposta dos partidos e o calendário parlamentar
A pressão da oposição tem vindo a intensificar-se ao longo das últimas semanas. Além do PCP e do Chega, também o Livre requereu a audição de Fernando Alexandre e do presidente do EduQa, o Instituto de Educação, Qualidade e Avaliação, enquanto o Bloco de Esquerda chegou a propor a criação de uma comissão parlamentar de inquérito, proposta que o PSD recusou acompanhar por considerar tratar-se de “fazer política” antes de esgotadas outras vias de esclarecimento. O líder parlamentar do PSD, Hugo Soares, reconheceu publicamente que “não correu tudo bem”, atribuindo os problemas a “vicissitudes várias” de natureza técnica e informática.
O secretário-geral do PCP, Paulo Raimundo, justificou o pedido de debate de urgência com o facto de Fernando Alexandre ter proposto apenas o dia 21 de julho para comparecer na Comissão de Educação e Ciência, uma data que os comunistas consideram tardia face à urgência do problema. André Ventura, líder do Chega, tem exigido que o ministro assuma responsabilidades pelos “falhas brutais” verificadas, mas afastou, para já, pedir a sua demissão, condicionando essa possibilidade à capacidade do Governo resolver rapidamente a situação. O PS, por seu turno, já admite que uma comissão de inquérito parlamentar se torne “cada vez mais inevitável” caso as explicações do Governo continuem a ser consideradas insuficientes.
Governo mantém confiança no ministro mas pressão não abranda
Apesar da contestação, o primeiro-ministro Luís Montenegro tem reiterado publicamente a confiança no ministro da Educação, uma posição que o Governo mantém mesmo com os sucessivos adiamentos de prazos e a multiplicação de pedidos de audição parlamentar. O ministro Adjunto e da Reforma do Estado, Gonçalo Matias, questionado sobre o processo de digitalização dos exames, defendeu que “a transição digital tem custos” e que o Governo está disponível para continuar com um processo de “tentativa e erro”, ainda que nunca esteja disposto a “voltar para trás” nesta modernização.
O desfecho desta crise deverá ficar mais claro já no dia 17 de julho, data em que estão marcadas tanto a divulgação dos resultados dos exames nacionais como uma eventual sessão parlamentar dedicada ao tema. Para os mais de 300 mil estudantes envolvidos e para as respetivas famílias, o que está verdadeiramente em jogo é a garantia de que nenhum aluno saia prejudicado por falhas que, até ao momento, têm sido atribuídas essencialmente a problemas técnicos na nova plataforma informática de avaliação.
Fontes consultadas:
https://www.dn.pt/pol%C3%ADtica/exames-nacionais-oposio-junta-se-presso-sobre-fernando-alexandre
https://www.rtp.pt/noticias/pais/pcp-chama-ministro-da-educacao-a-ar-no-dia-marcado-para-divulgar-notas-dos-exames_n1752917
https://observador.pt/2026/07/13/pcp-chama-ministro-da-educacao-a-ar-no-dia-marcado-para-divulgar-notas-dos-exames/
https://eco.sapo.pt/2026/07/09/fernando-alexandre-sob-alta-pressao-o-que-se-sabe-e-o-que-falta-saber-sobre-o-caos-nos-exames/

