BCP, Caixa e Unicre entram no piloto do euro digital do BCE

Diego Velázquez
6 Min de leitura

Banco de Portugal confirma participação de três instituições nacionais na fase de testes da futura moeda digital europeia.

O Banco de Portugal anunciou que três instituições financeiras sediadas no país, o Millennium BCP, a Caixa Geral de Depósitos (CGD) e a Unicre, foram selecionadas para participar no projeto piloto do euro digital, coordenado pelo Banco Central Europeu (BCE). A iniciativa envolve mais de 35 prestadores de serviços de pagamento e 19 bancos centrais nacionais do Eurosistema, entre os quais o Banco de Portugal. Os acordos de participação foram assinados em Lisboa a 7 de julho, na sede do Banco de Portugal, com representantes das quatro entidades. O piloto tem como objetivo testar, do ponto de vista técnico e operacional, a futura moeda digital europeia antes de uma eventual emissão oficial, atualmente prevista para o segundo semestre de 2027.

O que está a ser testado e quem participa

O piloto vai utilizar uma versão beta do euro digital, semelhante do ponto de vista funcional e técnico à solução prevista na proposta legislativa que continua a ser discutida pelos legisladores europeus, mas sem o estatuto de moeda com curso legal. Segundo o Banco de Portugal, esta fase serve para validar soluções técnicas e recolher contributos para o desenvolvimento do projeto antes de qualquer lançamento definitivo. Vão participar colaboradores do próprio BCE e dos bancos centrais nacionais envolvidos, além de comerciantes de comércio eletrónico e estabelecimentos que prestam serviços do dia a dia, como cafetarias e cantinas localizadas nas instalações destas instituições.

O processo de seleção dos participantes foi competitivo. Na sequência de um pedido de manifestação de interesse lançado em março de 2026, o Eurosistema recebeu mais de 50 candidaturas de prestadores de serviços de pagamento em toda a área do euro, das quais pouco mais de 35 acabaram por ser escolhidas. Este número elevado de candidaturas foi interpretado pelo próprio Banco Central Europeu como um sinal do interesse do mercado bancário europeu nesta futura infraestrutura de pagamentos, que pretende complementar o numerário físico e responder à crescente digitalização das transações na zona euro.

O papel das instituições portuguesas no projeto

Das três entidades portuguesas selecionadas, o Millennium BCP e a Caixa Geral de Depósitos vão atuar tanto como prestadores distribuidores como adquirentes, o que significa que darão acesso aos utilizadores a serviços do euro digital beta e permitirão que comerciantes selecionados recebam pagamentos nesta moeda experimental. Já a Unicre participará apenas na vertente de aquisição, ou seja, do lado do processamento de pagamentos junto de comerciantes. Em comunicado, o CEO do Millennium BCP, Miguel Maya, afirmou que a seleção pelo BCE reforça o compromisso do banco com a inovação nos meios de pagamento, considerando tratar-se de “um projeto bem preparado” com condições para se tornar num marco relevante no aperfeiçoamento da moeda única europeia.

A Caixa Geral de Depósitos, por sua vez, destacou que a integração no projeto reforça o seu compromisso com a transformação digital e com a modernização do sistema financeiro nacional e europeu. Representaram as quatro entidades, na assinatura dos acordos, Luís Morais Sarmento pelo Banco de Portugal, Maria José Campos pelo Millennium BCP, Luís Pereira Coutinho pela Caixa Geral de Depósitos, e João Baptista Leite e Fernando Nobre de Carvalho pela Unicre. A Revolut, embora não seja uma instituição portuguesa, também confirmou a sua participação nesta fase, com foco estrito na integração técnica e nos testes operacionais.

O que esperar até ao lançamento previsto para 2027

O calendário divulgado pelo BCE aponta para um piloto com duração de 12 meses, com arranque previsto para o segundo semestre de 2027. Até lá, a fase de testes deverá permitir identificar eventuais falhas técnicas e ajustar processos antes de qualquer decisão sobre a emissão definitiva do euro digital, que continua dependente da aprovação da proposta legislativa em discussão no Parlamento Europeu e no Conselho da União Europeia. O Banco de Portugal já tinha manifestado, em declarações anteriores, o interesse em ver bancos portugueses envolvidos nesta fase, citando entre os desafios do projeto a urgência de um meio de pagamento digital verdadeiramente integrado na zona euro e os custos elevados das transferências internacionais.

Para o consumidor comum, o impacto imediato desta fase é praticamente nulo, já que o piloto decorre num ambiente controlado, com comerciantes e utilizadores selecionados. Ainda assim, a confirmação da participação de três instituições portuguesas coloca o país entre os primeiros a testar, na prática, uma infraestrutura que poderá vir a mudar a forma como milhões de europeus fazem pagamentos do dia a dia, caso o projeto avance para a fase de emissão oficial em 2027.

Fontes consultadas:
https://eco.sapo.pt/2026/07/14/bcp-caixa-geral-de-depositos-e-unicre-participam-no-piloto-do-euro-digital/
https://jornaleconomico.sapo.pt/noticias/banco-de-portugal-bcp-caixa-e-unicre-integram-piloto-do-euro-digital-do-bce/
https://www.jornaldenegocios.pt/mercados/criptoativos/detalhe/bcp-cgd-e-unicre-escolhidos-pelo-bce-para-testar-euro-digital
https://www.bportugal.pt/en/page/digital-euro-project

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