Valderci Malagosini Machado

Lajes treliçadas: a peça industrial que está mudando o ritmo das obras brasileiras

Diego Velázquez
7 Min de leitura

O Eng. Valderci Malagosini Machado, diretor técnico da Blocos e Lajes Itaim, observa um fenômeno que tem se intensificado nos canteiros de obra do país: a substituição progressiva de lajes moldadas inteiramente in loco por sistemas pré-fabricados, com destaque para as lajes treliçadas. Compostas por vigotas com armação metálica em formato de treliça e lajotas ou EPS como material de enchimento, essas lajes chegam à obra parcialmente prontas, reduzindo significativamente o tempo de montagem.

Esse movimento não é apenas uma escolha de conveniência. Ele reflete uma transformação mais profunda na forma como o setor da construção civil enxerga produtividade. Em um momento de custos crescentes e prazos cada vez mais curtos, qualquer etapa que possa ser parcialmente industrializada fora do canteiro representa redução de risco, menos dependência de mão de obra especializada disponível no momento certo e maior controle sobre o cronograma final da obra.

O resultado é um setor em que engenheiros estruturais revisam continuamente suas especificações, avaliando onde a industrialização parcial faz sentido técnico e econômico. E é exatamente nesse ponto que as lajes treliçadas se consolidam como uma das soluções mais relevantes da construção industrializada brasileira.

Como funciona o sistema de laje treliçada na prática?

O princípio da laje treliçada é relativamente simples, mas exige precisão técnica em sua execução. Vigotas pré-fabricadas, com armação treliçada em aço, são posicionadas sobre as paredes ou vigas de apoio, seguidas pelo material de enchimento (lajota cerâmica ou bloco de EPS) e finalizadas com uma camada de concreto moldado no local, chamada capa.

Esse formato híbrido combina o melhor de dois mundos: parte da estrutura chega industrializada, com controle de qualidade realizado em ambiente fabril, e parte é finalizada em obra, garantindo a monolitização necessária para o comportamento estrutural adequado do conjunto. O Eng. Valderci Malagosini Machado, diretor técnico da Blocos e Lajes Itaim, com atuação na indústria de artefatos de cimento, explica que a precisão no dimensionamento das vigotas, de acordo com o vão e a carga prevista em projeto, é o que determina a segurança e a durabilidade do sistema, algo inegociável em qualquer especificação técnica.

Por que a industrialização parcial reduz risco em obra?

Um dos argumentos mais fortes em favor das lajes treliçadas é a redução de variáveis incontroláveis durante a execução. Ao chegar parcialmente pronta, a vigota elimina etapas de armação manual extensa diretamente no canteiro, reduzindo a exposição a erros de execução que costumam aparecer quando toda a estrutura depende exclusivamente de mão de obra local.

Para Eng. Valderci Malagosini Machado, diretor técnico da Blocos e Lajes Itaim, esse ganho de previsibilidade só é real quando a fabricação das vigotas segue rigorosamente as normas técnicas aplicáveis e passa por controle de qualidade consistente antes de sair da fábrica. Uma vigota fora de especificação compromete justamente o benefício que motivou a escolha do sistema, gerando risco estrutural silencioso que pode não se manifestar imediatamente.

Painéis treliçados: a industrialização avança também para as paredes

Se as lajes treliçadas já são uma realidade consolidada, os painéis treliçados representam o passo seguinte da industrialização da construção civil. Utilizados como alternativa a paredes moldadas in loco ou alvenaria convencional, os painéis chegam à obra com armação e, em alguns casos, parte do enchimento já posicionados, exigindo apenas o lançamento de concreto para finalização.

Valderci Malagosini Machado
Valderci Malagosini Machado

Esse tipo de solução tem ganhado espaço, especialmente em empreendimentos que buscam reduzir prazo de execução sem recorrer a sistemas totalmente pré-moldados, que demandam logística e equipamentos mais complexos. O Eng. Valderci Malagosini Machado, diretor técnico da Blocos e Lajes Itaim, costuma destacar que esse meio-termo entre construção convencional e pré-fabricação total tende a crescer justamente por equilibrar custo, prazo e flexibilidade de projeto.

Os limites técnicos que o mercado ainda precisa respeitar

Apesar das vantagens, a industrialização parcial da estrutura não elimina a necessidade de projeto estrutural detalhado e acompanhamento técnico qualificado em obra. Um erro comum é tratar lajes e painéis treliçados como soluções genéricas, aplicáveis sem ajuste a qualquer vão ou carga, quando, na realidade, cada projeto exige dimensionamento específico das vigotas e da capa de concreto.

Esse tipo de simplificação indevida é responsável por boa parte das patologias estruturais identificadas em obras que utilizaram sistemas industrializados sem o devido rigor de projeto. Portanto, é possível notar que a solução não está em evitar a industrialização, mas em garantir que ela seja acompanhada do mesmo nível de exigência técnica que se espera de qualquer estrutura convencional.

A construção civil caminha para a fábrica, não para o canteiro

A tendência observada em diferentes frentes do setor é consistente: cada vez mais, a qualidade de uma obra é definida antes de o caminhão chegar ao canteiro. Lajes e painéis treliçados são exemplos concretos de como a industrialização parcial pode acelerar prazos, reduzir riscos e elevar o padrão técnico das edificações brasileiras, desde que sustentada por controle de qualidade rigoroso na origem.

O Eng. Valderci Malagosini Machado, diretor técnico da Blocos e Lajes Itaim, representa esse momento de transição do setor, em que décadas de experiência industrial se traduzem em produtos capazes de sustentar a velocidade que o mercado da construção civil passou a exigir. Entender essa lógica é compreender que o futuro das obras brasileiras já começou, e que ele nasce dentro das fábricas que abastecem os canteiros do país.

Autor: Diego Rodríguez Velázquez

 

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