Tiago Oliva Schietti

É melhor esperar que os juros baixem ou aderir a um consórcio? Entenda com Tiago Oliva Schietti

Diego Velázquez
6 Min de leitura

Consórcio e juros aparecem quase sempre associados à mesma questão: será melhor aderir a um plano agora ou esperar que as taxas baixem para recorrer a um financiamento mais tarde? Posto isto, esta dúvida raramente tem uma resposta simples, porque depende de variáveis pessoais que uma comparação genérica de mercado, por si só, não consegue captar.

O erro mais comum é encarar a decisão como uma disputa de números, comparando a taxa de juro com a prestação do consórcio, sem considerar o prazo, a urgência na aquisição do bem e a capacidade de organização financeira do comprador. Assim, como salienta o empresário Tiago Oliva Schietti, antes de comparar taxas, importa perceber como cada modelo lida com o tempo. Continue a ler para organizar este raciocínio antes de tomar uma decisão.

Esperar que os juros baixem compensa realmente?

Esperar faz sentido quando existe previsibilidade relativamente ao próprio orçamento e nenhuma urgência real em adquirir o bem. Neste cenário, aguardar uma eventual descida dos juros pode reduzir o custo total do financiamento e libertar mais rendimento mensal no futuro. O problema é que esta lógica parte de uma suposição frágil: a de que os juros irão baixar dentro de um prazo razoável e permanecer baixos até ao momento da contratação. De acordo com Tiago Oliva Schietti, planear com base numa previsão de mercado é diferente de planear com base num objetivo pessoal, e essa diferença altera o nível de risco assumido.

O consórcio parte de uma lógica de prazo diferente

O consórcio não compete diretamente com o financiamento segundo os mesmos critérios, porque não envolve juros no sentido tradicional, mas sim uma taxa de administração diluída ao longo da duração do grupo. Isto altera o cálculo: a decisão deixa de estar centrada no custo do dinheiro e passa a depender do tempo disponível para aguardar a contemplação.

Tiago Oliva Schietti refere que quem adere a um consórcio sem ter clareza relativamente ao próprio prazo tende a sentir-se frustrado, porque o modelo exige uma espera ativa, e não passiva. Deste modo, a diferença entre estas duas posturas é o que separa um planeamento bem-sucedido de uma adesão por impulso.

Tiago Oliva Schietti
Tiago Oliva Schietti

Quanto custa adiar a decisão?

Adiar parece sempre uma opção segura, mas acarreta um custo pouco discutido: o tempo perdido sem construir património, criar uma poupança destinada a um objetivo específico ou organizar o histórico de crédito. Este custo não aparece em nenhuma simulação de taxas, mas pode pesar tanto quanto elas nas contas finais. Tendo isto em conta, os seguintes sinais ajudam a identificar quando o adiamento deixou de ser uma estratégia e passou a ser apenas procrastinação financeira:

  • A necessidade do bem já existe atualmente, mas a decisão continua a ser adiada sem um prazo definido;
  • Não está a ser constituída qualquer reserva financeira enquanto se espera por uma alteração no cenário dos juros;
  • A expectativa de descida das taxas não resulta de qualquer análise concreta, mas apenas de um otimismo generalizado;
  • O orçamento mensal permitiria suportar uma prestação do consórcio sem comprometer outros objetivos.

Quando dois ou mais destes pontos se verificam, a espera deixa de proteger o comprador e pode começar a custar mais do que este imagina. Reconhecer esta situação é o primeiro passo para decidir com menos ansiedade e maior critério.

O planeamento pesa mais do que o momento da taxa

Uma pergunta direta pode ajudar a desbloquear esta escolha: o objetivo é comprar um bem específico dentro de um prazo definido ou apenas aproveitar uma condição de mercado mais favorável, independentemente do bem? São decisões diferentes e exigem instrumentos diferentes.

Conforme avalia o empresário Tiago Oliva Schietti, o consórcio funciona melhor para quem já tem o objetivo definido e aceita construir o caminho até ele, enquanto esperar por juros mais baixos tende a favorecer quem ainda se encontra numa fase de planeamento aberto, sem uma urgência definida. Ou seja, nenhuma das duas opções é necessariamente superior; simplesmente respondem a diferentes momentos da vida.

O que muda quando o prazo passa a estar no centro da decisão?

Colocar o prazo no centro da análise, em vez de considerar apenas a taxa, altera a questão que realmente importa: não se trata de saber qual é a opção mais barata em termos abstratos, mas sim qual delas se enquadra no tempo disponível e no ritmo financeiro que a pessoa consegue manter. No final, esta mudança de foco tende a evitar decisões tomadas por ansiedade ou com base numa comparação superficial entre modelos. Assim, definir o prazo antes de escolher o instrumento é o que transforma uma dúvida recorrente numa decisão consciente.

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