Pedro Daniel Magalhães

Entenda o que acontece quando os investidores vendem em massa

Lorenzo Bellieri
5 Min de leitura

A liquidez é um dos fatores que determinam a facilidade com que se compram ou vendem ativos no mercado financeiro, um segmento em que Pedro Daniel Magalhães, executivo com experiência em crédito estruturado e gestão empresarial, desenvolve a sua atividade. Em períodos de instabilidade, contudo, esta condição pode mudar rapidamente quando muitos investidores decidem vender os seus investimentos em simultâneo. A quantidade de ordens de venda pode superar o interesse dos compradores, provocando quedas expressivas nas cotações e dificultando a realização de operações aos preços esperados.

Porque é que as vendas simultâneas provocam quedas nos preços?

O funcionamento dos mercados depende do encontro entre compradores e vendedores. Quando um investidor pretende vender determinado ativo, precisa de encontrar alguém interessado em adquiri-lo pelo preço proposto. Em condições normais, a presença de participantes com diferentes expectativas permite que as negociações decorram continuamente, com ajustamentos relativamente graduais nas cotações. Este equilíbrio também contribui para que os preços reflitam a informação disponível e as avaliações realizadas pelos participantes no mercado.

Contudo, quando muitos investidores decidem vender em simultâneo, a quantidade de ativos disponibilizados pode superar a procura existente aos preços anteriores, salienta Pedro Daniel Magalhães. Para concretizarem as operações, os vendedores precisam de aceitar propostas mais baixas. Este movimento provoca desvalorizações sucessivas, sobretudo quando novos participantes interpretam as quedas como um sinal de risco e também procuram reduzir as suas posições. A pressão pode intensificar-se quando os investidores precisam de obter liquidez rapidamente e não podem aguardar por condições de negociação mais favoráveis.

A intensidade deste processo depende da liquidez, que corresponde à facilidade de negociar um ativo sem provocar alterações significativas no seu preço. As ações com um elevado volume de negociação tendem a apresentar maior capacidade para absorver ordens de venda. Já os ativos com poucos compradores podem sofrer oscilações expressivas, mesmo perante volumes de negociação relativamente reduzidos. Por essa razão, a liquidez constitui um fator importante na avaliação dos riscos, sobretudo em períodos de maior instabilidade financeira.

Pedro Daniel Magalhães
Pedro Daniel Magalhães

Como pode uma vaga de vendas afetar outros investimentos?

Uma queda acentuada pode ultrapassar o mercado em que teve origem. Os investidores que enfrentam perdas em determinadas aplicações podem precisar de vender outros ativos para obter liquidez, responder a pedidos de reforço de garantias ou reduzir a sua exposição ao risco. Consequentemente, investimentos que não apresentam problemas específicos também podem sofrer desvalorizações.

Na perspetiva das atividades financeiras relacionadas com a experiência profissional de Pedro Magalhães, esta dinâmica evidencia a importância de distinguir o risco de crédito do risco de liquidez. Um título pode representar uma obrigação de pagamento de um emitente financeiramente sólido, mas ter poucos compradores num determinado momento. Nesse caso, o investidor pode ter de aceitar um desconto significativo para conseguir vendê-lo antes do vencimento.

O que acontece quando os compradores desaparecem?

Em períodos de instabilidade, os investidores podem reduzir as suas ofertas de compra devido ao receio de novas desvalorizações. Com menos participantes interessados, aumenta a diferença entre os preços pedidos pelos vendedores e os valores oferecidos pelos compradores. Esta diferença, conhecida como spread de negociação, pode encarecer as operações e dificultar a saída de determinadas posições. Quanto maior for este intervalo, mais difícil poderá ser concluir uma venda rapidamente sem aceitar um preço inferior ao inicialmente pretendido.

Em situações extremas, as bolsas de valores podem acionar mecanismos de interrupção temporária das negociações, conhecidos como circuit breakers. Estes procedimentos procuram conter movimentos desordenados e permitir que os participantes reavaliem a informação disponível. Contudo, a suspensão não garante a recuperação dos preços quando as negociações são retomadas. Se as preocupações dos investidores persistirem, a pressão vendedora poderá continuar mesmo após o restabelecimento das operações.

Outro efeito envolve os fundos de investimento. Pedidos expressivos de resgate podem obrigar os gestores a vender ativos para disponibilizar os montantes aos participantes, respeitando as regras de cada fundo. Quando estas vendas ocorrem em mercados com pouca liquidez, os descontos necessários podem afetar o património da carteira e agravar as perdas. Pedro Daniel Magalhães salienta que esta situação também pode prejudicar os investidores que permanecem no fundo, uma vez que a desvalorização dos ativos influencia o valor das unidades de participação e o desempenho da carteira.

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